Ofício Fúnebre (Sōgui)

Tradicionalmente, a cerimônia de Rindyūgongyō (popularmente, Makuragyō) é realizada nos instantes finais da vida. Como, na prática, é difícil reconhecer com precisão esse momento, em geral ela ocorre imediatamente após o falecimento. Nesses casos, a família deve acionar o monge de plantão, preferencialmente da congregação geograficamente mais próxima.

Por exemplo: se o falecimento ocorrer nas imediações do Metrô Praça da Árvore (São Paulo), a orientação é contatar o Betsuin (Honpa Hongwanji) para a realização da cerimônia, independentemente do horário.

É importante lembrar que o Rindyūgongyō é um ofício realizado junto à pessoa em seu leito de morte, isto é, antes que ela dê o último suspiro, os membros da família, junto com o monge, realizam a leitura do sutra ou texto sagrado, para que até mesmo o último momento seja uma oportunidade de ouvir o Dharma e de agradecer à Compaixão do Voto Original do Buda Amida que assegurou toda a sua vida e, agora, na sua morte, fará com que, infalivelmente, nasça na Terra Pura. Para os familiares, é o momento mais difícil da vida — a despedida de um ente querido — e deve ser vivido com profundo respeito e gratidão por tudo o que ele significou nesta vida; após a morte, tornando-se Buda, podemos lembrar que ele passará a orientar todos os que aqui ficam no Caminho da Terra Pura..  Portanto, na oportunidade deste ofício, os familiares recebem dele o último ensinamento budista, isto é, a verdade sobre a transitoriedade desta nossa vida terrena! Esta vida é única, não pode ser repetida nem substituída por ninguém! Nesta reflexão, podemos nos conscientizar sobre a importância de nos dedicar cada vez mais a ouvir o Dharma e conduzir o dia-dia da nossa vida junto ao Nembutsu.

Com o passar do tempo, tornou-se cada vez mais raro estar presente no instante final da vida de um ente querido; por isso, hoje quase não se realiza o Rindyūgongyō. Em seu lugar, difundiu-se o Makuragyō (ou Makurakyō) — literalmente, “sutra de travesseiro” —, ritual em que o sutra é recitado logo após o falecimento, enquanto a pessoa ainda repousa sobre o travesseiro. Mesmo com essa mudança, o próprio Makuragyō também vem se tornando pouco frequente.Orientamos a retomada dessa prática, tão bonita e reconfortante; os monges colocam-se à disposição para acompanhar as famílias, independentemente do horário.

Otsuya

Esta cerimônia seria a última noite da pessoa falecida junto aos seus familiares e amigos nesta vida. Antigamente, as pessoas mais próximas, ao sair dos seus serviços vinham ao velório à noite e celebravam juntos os cânticos budistas, sem a necessária presença de um monge.atualmente ficou mais comum chamar um monge num horário específico para celebrar e conduzir tal cerimônia, mas o otsuya sempre pode ser conduzido por qualquer amigo ou familiar que se sinta confiante a fazê-lo.

Ofício Fúnebre – Sōshiki (Osōshiki) ou Sōgui

O Ofício Fúnebre, Sōshiki, é realizado de corpo presente na residência do falecido, no templo, ou em velório antes da cremação ou sepultamento. O ofício consiste em uma série de rituais que se iniciam com a entronização de um envelope com o Nome do Buda Amida e os dados da pessoa falecida, inclusive, o nome búdico (caso a pessoa falecida não o tenha recebido em vida participando na Cerimônia de Tomada de Refúgio, Kikyōshiki, ela o receberá neste ofício fúnebre) que passa a ter importância maior para se referir ao ser que agora se tornou Buda. No ofício, em geral, é cantado o Shōshingue, enquanto os familiares e os demais presentes oferecem incenso ante o altar do Buda Amida. Após as condolências e o tributo, o monge transmite o Dharma iniciando ou terminando com a leitura das “Cartas do Mestre Rennyo”, em especial, do “Capítulo sobre o Grande  Mestre Shakyamuni” (Daishō Seson Shō) . O ofício encerra-se com o cântico do hino “Mihotoke ni idakarete” caso a família assim desejar. Depois, o corpo é preparado e conduzido para o crematório ou cemitério. E, durante ou final do sepultamento ou cremação , faz-se um breve ritual com leitura de Gatha, antes da despedida final e agradecimento às pessoas presentes no local.

Assim como nos ofícios Rindyūgongyō ou Makuragyō, este momento de extrema tristeza, principalmente para os familiares e amigos que ficaram, é, por outro lado, também o momento mais importante de nossa vida, pois, recebemos a chance de ouvir os ensinamentos do Buda e encontrar o verdadeiro caminho pelo qual valorizamos nossa vida através do ensinamento que o próprio falecido nos transmite: a verdade sobre a vida, transitória e passageira, que só poderá ser de fato valorizada no encontro com o Dharma entrando assim nos dias de Mantyū-in (as 7 semanas de luto da família).

Nas casas das famílias mais tradicionais se fazem um altar com 3 andares (tyūindana) com toalhas brancas , onde se colocam a imagem do Buda Amida , a foto do ente querido , o ihai ou kakochō da família e caso a pessoa tenha sido cremada fica neste altar até os 49º dia. Neste período o monge vem à casa celebrar os ofícios de 7 dias , 14 dias , 21 dias e assim por diante até o ofício de 49 dias que será o sétimo ofício da sétima semana (sendo o Ofício de 7 dias e a de 49 dias as mais tradicionais realizada entre as famílias atualmente) . Tendo um diferencial , tradicionalmente quando o ente querido era uma mulher pode ser realizado o Ofício de 35 dias ao invés do Ofício de 49 dias. Durante as 7 semanas a família evita mexer nos pertences do falecido e após a cerimônia se começa a se desfazer dos pertences , no Japão geralmente também é quando se deposita as cinzas do ente querido no túmulo familiar ou no Ossuário (Nōkotsudō) da família.

Ofício de 100 dias

Antigamente, o período de luto da família era de Cem Dias para aquelas famílias que se sentiam muito tristes com a separação do ente querido, assim, realizava-se o Ofício do Centésimo Dia como o marco de superação desse período de luto. Na China Antiga, quando se dava o período de 100 dias do enterro dos entes queridos, isto é, quando o corpo começa a se desprender da carne, acreditava-se no desapego da matéria e com isso terminava o luto com o Ofício de 100 dias (Hyakka Niti). Mas, na sociedade moderna o respeito ao período de luto começou a encurtar, esse Ofício de Centésimo Dia, mesmo no Japão, praticamente tem deixado de ser realizado, apesar das muitas famílias ainda continuarem a respeitar o calendário de homenagens.