Ofício Memorial (Hōji)
Os Hōdi são Ofícios Memoriais — muitas vezes explicados no Brasil como “missas em memória” — realizados após o falecimento. Neles, família, parentes e amigos se reúnem no templo ou na residência para recordar com carinho o ente querido, ouvir o Dharma ao cantar e entoar os Sutras, escutar a leitura do Gobunshō (Cartas do Mestre Rennyo Shōnin) e a prédica do monge oficiante, além de apresentar condolências aos familiares. Passado o primeiro impacto da perda, segue-se um momento de reflexão mais serena sobre a verdade da vida e da morte, e de gratidão por tudo o que o falecido significou. Ao renascer na Terra Pura e tornar-se Buda, ele nos oferece a oportunidade de encontro com o Dharma por meio desses ofícios.
Orientações gerais (apoio à família e reciprocidade)
- Contribuição financeira (envelopes): é de grande importância apoiar a família com os custos do velório e das cerimônias. Costuma-se oferecer um envelope com uma quantia (entregue de forma discreta, com identificação e breve mensagem de condolências - opcional).
- Recepção de agradecimento: muitas famílias retribuem esse cuidado oferecendo uma recepção com comida e bebida após o ofício. Trata-se de um gesto de gratidão e convívio, não de contrapartida obrigatória.
- Mimo de devolução: quando a família decide agradecer cada envelope com um pequeno presente, recomenda-se optar por itens consumíveis — por exemplo, chá, doces, sabonetes, incenso — evitando objetos duráveis (como toalhas ou utensílios). A preferência por itens que não permaneçam por longo tempo expressa o desejo de que o período de tristeza também encontre passagem, preservando a lembrança com leveza.
- Descrição e adequação: o valor da oferta é pessoal; evite ostentação, use envelope simples.
Dos ofícios memoriais sucessivos, há ainda o Ofício de Cem Dias de Falecimento. Depois os ofícios passam a ser realizados no ciclo dos seguintes anos: primeiro (1 ano de falecimento), terceiro (2 ano de falecimento), sétimo (6 anos de falecimento), décimo terceiro (12 anos de falecimento), décimo sétimo (17 anos de falecimento), vigésimo quinto (24 anos de falecimento), trigésimo terceiro (32 anos de falecimento) e quinquagésimo (49 anos de falecimento) aniversários de falecimento.
Em algumas tradições familiares se realiza a contagem antiga 1, 3, 7, 13, 17, 23, 27, 33, 37 e 50 anos de falecimento. Na tradição mais atualizada são realizadas as de 1, 3, 7, 13, 17, 25, 33 e 50 anos de falecimento.
Nestes Ofícios dos anos especiais de falecimento, deve-se atentar para a seguinte questão: o Ofício de Primeiro Ano é realizado quando se completa um ano de falecimento da pessoa. Mas, já no seguinte ano, é realizado o Ofício do Terceiro Ano, uma vez que a contagem é realizada incluindo o próprio ano do falecimento da pessoa. Assim, depois de dois anos é realizado o Ofício de Terceiro Ano, e após seis anos é realizado o Ofício de Sétimo Ano de Falecimento e assim por diante. Após o Ofício de Quinquagésimo Ano de falecimento são realizados especialmente a cada cinqüenta anos, isto é, Ofício de Cem Anos, Cento e Cinqüenta Anos e assim por diante (Geralmente encerramos os ciclos de Ofícios Memoriais do ente querido aos 50 anos, mas tem aquelas pessoas que deixaram um marco muito grandioso neste mundo temporal e são lembrados de 50 em 50 anos como é o caso do fundador do Budismo Shin). É preciso lembrar sempre que o próprio ano do falecimento da pessoa deve ser incluído nas contagens. Isso decorre do Kazoedoshi (数え年), que é a forma tradicional japonesa de contar a idade — a chamada “idade contada”. Nessa lógica, a pessoa nasce com 1 ano, e a cada Oshōgatsu (Ano-Novo japonês) todas as idades aumentam em 1 simultaneamente, independentemente da data de aniversário. Embora o Japão hoje use oficialmente a idade “cheia” (man-nenrei), o kazoedoshi permanece em contextos religiosos e rituais, como os Ofícios Memoriais (nenki) e as yakudoshi (idades críticas), ajudando a entender por que, em certas cerimônias, parece que “se soma um ano” ao contabilizar os ciclos desde o evento (como o falecimento).
Além dos ofícios memoriais citados, há, na tradição budista, o Shōtsuki Meiniti Hōyō, um Ofício Memorial realizado anualmente na data (mês e dia) de falecimento da pessoa. Há também o Meiniti Hōyō que é Ofício Memorial Mensal, realizado no dia do falecimento da pessoa. E, finalmente, há o Tsuitō Hōyō que pode ser realizado sem se preocupar com essas questões do mês ou dia de falecimento da pessoa, a qualquer momento.
Tabela
Ofício de 1º ano (realizado em um ano de falecimento)
Ofício de 3º ano (realizado no 2º ano de falecimento)
Ofício de 7º ano (realizado no 6º ano de falecimento)
Ofício de 13º ano (realizado no 12º ano de falecimento)
Ofício de 17º ano (realizado no 16º ano de falecimento)
Ofício de 23º ano (realizado no 22º ano de falecimento)
Ofício de 25º ano (realizado no 24º ano de falecimento)
Ofício de 27º ano (realizado no 26º ano de falecimento)
Ofício de 33º ano (realizado no 32º ano de falecimento)
Ofício de 37º ano (realizado no 36º ano de falecimento)
Ofício de 50º ano (realizado no 49º ano de falecimento) sendo esta a última a ser realizada.
Esta tabela acima são os ofícios tradicionais , mas há famílias que, independente de ter algum ente querido falecido nestas datas ou não, gostam de se reunir uma vez ao ano para escutar o Dharma.
Shōtsuki Mei-niti: É realizado todo ano na data de aniversário (Mês e Dia) de falecimento da pessoa.
Gakki Mairi: É realizado mensalmente no dia de falecimento da pessoa.
Tsuito Hōyō: Este é um Ofício realizado quando não está em nenhuma data específica , conhecido também como Ofício Especial , na qual quer recordar a memória de um e vários entes queridos e escutar o Dharma.